UM ATÉ BREVE

Desde o dia 26 de dezembro que estou empenhada na escrita de minha autobiografia, onde narro passagens relevantes de minha vida, atendendo a um pedido de um precioso amigo que inclusive me sugeriu o título PERCEPÇÃO que, adaptei para PERCEBENDO A VIDA, onde narro em detalhes o quanto esta capacidade mental que desenvolvi com o auxílio de meus sentidos, abriu meu campo de visão interna e externa, sobre todos os aspectos que verdadeiramente acreditei serem relevantes, não só na estruturação de minha vida, quanto na condução da mesma. Há exatamente dois dias, acabei de escrevê-lo e agradeço ao meu Jesus e a todas as energias benditas que me inspiraram em cada palavra que utilizei para descrever a longa e fantástica experiência vivencial que usufruo de forma magnífica, valorizando a todos e ao tudo que sempre me cercou. Escrevê-lo, mais que remeter-me a antigas lembranças, foi capaz de selar em mim, a certeza absoluta do quanto somos vulneráveis, quando nos vemos diante do imponderável de qualquer natureza. Percebi que era chegada a hora de levantar o véu do romantismo que caracteriza minhas escritas, colocando nelas o toque de uma realidade, nem sempre agradável de ser observada, afinal, os tempos mudaram, os valores se alteraram e é preciso que eu esteja atenta, para não me tornar um “alvo da tolice” em acreditar que ainda seja possível, fazer política, sem que a violência em seus infinitos aspectos esteja presente. Neste instante, naturalmente exaurida pelo esforço desprendido nestes apenas 43 dias de trabalho intenso, associados a ainda construção de textos diários adicionados nesta minha página do facebook, assim como as lives que dividi com amigos de meu grupo político, creio ser chegada a hora de oferecer um descanso a esta minha mente humanista. Agradeço carinhosamente as milhares de pessoas que assistiram as lives que realizei com meus convidados, todas as terças-feiras, fazendo delas sucessos continuados ao ponto de virem a incomodar, mesmo que por todo o tempo, tenhamos usado a elegância e o respeito nas nossas críticas, todavia, compreendi que “credibilidade” pode ser uma espada ainda mais afiada. O meu senso perceptivo, sempre muito aguçado me sinalizou que é chegada a hora de dar uma parada, deixando aos jovens brilhantes que aí se apresentam, com o natural dinamismo da juventude, este palco, onde a luta pelo social sempre foi o maior protagonista. Mas, não pensem que se livrarão de mim, tão facilmente, afinal, não sei e não posso viver sem escrever e, portanto, me manterei presente com meus textos existencialistas e com a sempre exaltação de minha adorada Itaparica. Neste momento, agradeço pelo carinho e toda a atenção que venho recebendo ao longo de todos esses anos, utilizando-me dos mecanismos de comunicação para levar a minha visão de ética pública aos cidadãos desta cidade, numa tenacidade quanto, a formação do espírito crítico em cada uma, no desejo único e por acreditar ser possível, a erradicação deste paraíso que é a nossa Itaparica, da fome e da miséria. Vou descansar com a certeza serena de ter contribuído e também de ter recebido por todo o tempo, o amparo e o carinho de que sempre precisei para inspirar-me. Um beijo enorme e a minha sempre gratidão.

Regina Carvalho