POR QUE, MEU DEUS?

Acabo de conversar com Roberto sobre Marlylda e sua administração; e concordamos que é surreal a sua postura pessoal de gestora deste município, desde a sua posse em 1º de janeiro de 2017.
Rapaz, jamais vou esquecer a sua vitória apoteótica que emocionou a mim e tantos outros que, mesmo contrários politicamente, não tinham como negar a beleza e importância da trajetória desta moça simples do povo que, em dado momento, recebeu o facho de luz da sorte de ser notada e lançada como candidata nas eleições de 2008 e, aí, se tornando visível aos olhos do povo.
Mesmo não obtendo o sucesso nas urnas, a moça guerreira não arrefeceu sua gana de vitória e a perseguiu brilhantemente, buscando a tudo e todos que pudessem injetá-la no meio da governança da cidade e, finalmente em 2016, numa demonstração de força e valentia, ela alcança a grandeza de 8.808 votos e se elege como dantes ainda não havia a cidade visto.
Rapaz, torci para que ela colocasse em prática tudo quanto prometera na campanha e nem por um instante, duvidei, afinal, como poderia se, esta, tinha o povo e parceiros fortes a seu lado.
De repente, assustei-me na primeira prestação de contas na Câmara de vereadores e até registrei numa crônica, a indiferença absurda e inexplicável dos presentes na ocasião, afinal, haviam se passado poucos meses para que a mesma despertasse tantas mágoas e tamanha rejeição.
De lá para cá, só foram aumentando as mágoas, principalmente nos primeiros dois anos de sua gestão, onde o silêncio e o abandono da mesma para com os amados itaparicanos, foi se tornando cada vez mais expressivo, numa correspondência igualitária dela para com os amados, pois passou a rechaçar sem papas na língua as críticas, deixando seus assessores, na maioria das vezes, falar por ela, diante das insatisfações manifestadas nas redes sociais, num primarismo que não se coaduna com a expertise demonstrada pela mesma, no manejo das relações públicas em tempos eleitorais.
Será que o germe da vaidade se apossara dela?
Por que, meu Deus, tantas insanas posturas, quando a seu lado existem pessoas que deveriam por real lealdade, mostrar-lhe os equívocos e desvios, assim como os caminhos para uma pelo menos tentativa de reconciliação com o povo que lhe ofereceu poder e glória?
Por que meu Deus, a pressa em endeusar-se para um povo que, de tão simples, já a tinha colocado em um pedestal?
Que cegueira de alma se apoderou desta jovem?
Será que o fato de ter a parceria do Governo do estado na construção de algumas obras de impacto e a velha garantia de só apresentar obra no último ano para também impactar a mente do eleitor, foi o bastante para tamanha acomodação e até primarismo administrativo?
Ela e ninguém mais poderia prever um CODIV 19, não é mesmo?
Com certeza, a jovem brilhante semeadora de votos, foi traída pelo imprevisto e, agora, não precisa correr tanto inaugurando uma Fonte da Bica, que ficou quase um ano fechada, terminar a cobertura de uma quadra, fazer as praças de Amoreira e do João Ubaldo, pois, os votos perdidos pelo abandono expresso em lixo, lama, mato e poeira na maioria das ruas deste minúsculo município, assim como a falta inexplicável de afagos aos seus munícipes, são votos perdidos e irrecuperáveis.
Isso não significa que não consiga com os recursos economizados, com uma máquina municipal abastecida de agregados, a expertise de seus silenciosos, mas poderosos aliados, com larga experiência em quase nada fazerem e, ainda assim, conseguirem êxitos, a moça arrojada não se reeleja, mas o amor despertado, puro, ingênuo e absolutamente autêntico que outrora recebeu, certamente não terá.
Ser lembrada como uma grande e poderosa Líder, jamais.
Lamento do fundo de meu coração, tanta falta de sensibilidade que venho observando no andar desta carruagem que não precisou de nenhuma pedra no meio de seu caminho, para avariar as próprias rodas.
Nesta pandemia, tanto quanto uma cesta básica, o povo das comunidades gostaria de ter recebido a prestigiosa líder com luvas, microfone e máscara, passando por suas ruas, se solidarizando com os seus mais fiéis aliados e garantidores da sua glória.
Quem sabe, deslizando os pneus de seu carrinho de luxo (mantido com os impostos deste povo simples), pelas lamas do abandono, a prezada jovem, pudesse ter recuperado um pouco daqueles a quem traiu com a mais expressiva ingratidão.
Mas acreditem, eu lamento, pois, todos sabemos que com a dinheirama recebida, nossa Itaparica poderia estar no caminho rápido de se tornar o pitéu, só comparável à beleza de seu povo e de suas naturezas inigualáveis.
Só nos resta lamentar…

Regina Carvalho, carioca, professora,
publicitária, filósofa social e colunista,
membro da Academia de Letras do Recôncavo.
Natural do Rio de Janeiro. 39 anos da vida dedicados
a escrever em jornais de Minas, Brasília e Bahia.
Locutora e diretora da Rádio Tupinambá, FM – Itaparica
e editora do Jornal Variedades – Itaparica – BA.