DESABAFO

Não é preciso ser matemático, economista, engenheiro, guru ou assessor de qualquer coisa, para perceber que é impossível uma gestão tão abastecida de recursos financeiros, não dispor de uma verba mensal para promover obras de infraestrutura que sejam de fundamental importância para o povo.


De Búzios ao Centro de Itaparica, tudo que se vê é lama, lixo e mato, enquanto, os senhores do poder e seus aliados, cercam-se de salamaleques que afrontam qualquer mortal.
Quando interessou a esta gestão, atender a parente próximo, logo se viu uma máquina recolhendo pedras da praia de Ponta de Areia, o que nos abasteceu de esperanças de que o material recolhido fosse aproveitado nos locais mais problemáticos do bairro.
Qual nada, tudo foi mais um “me engana que eu gosto”.
Não se trata de perseguição política e sim de total desespero, já que o tempo lá vai passando e as desculpas são as mesmas das gestões anteriores, com o diferencial de que nesta, o governador é aliado e, vez por outra, manda uma obra de impacto para impressionar e amparar sua pupila ambiciosa e cercada de vampiros sugadores por todos os lados, que por coincidência, também são aliados. Afinal, família que se elege unida, permanece unida. Essa é a realidade mais expressiva do Brasil.
Fico lendo nas redes sociais que não se pode entregar a cidade nas próximas eleições para Vera Cruz, mas como, se a mesma já a ela pertence, nem que seja por enquanto, a um só grupo, basta olhar-se a origem de grande parte das assessorias e demais cargos, assim como checar-se os fornecedores e prestadores de serviço, todos invariavelmente ligados de alguma forma a algum líder político de um passado recente daquela cidade.
Senhores candidatos, basta de hipocrisias e silêncios desumanos em prol sei lá do quê, mas com certeza, não dos interesses do povo em geral de Itaparica.
O que acontece é que se calam, com raras e preciosa exceções e só se manifestam no abrir das cortinas dos palanques, velho adereço de muitos carnavais, mas sem apresentarem qualquer realidade que, verdadeiramente, venha a mudar o cenário triste e maldoso que castiga décadas após décadas, o lindo e sofrido povo desta cidade.
A maioria se esconde por trás de malucos beleza, no que me incluo, que se expõem e ainda são achincalhados, processados e graças a Deus, ainda nada pior, enquanto, os poderosos se calam, pois os vampiros de hoje que protegem com seus silêncios cúmplice são os mesmos de ontem e, certamente, serão os de amanhã.
Como confiar em Líderes políticos que sabem bem mais que nós e que já conviveram e participaram intimamente de gestões anteriores, mas que se calam, enquanto sofremos e nos expomos a tudo de ruim que a mente humana é capaz de produzir?
Que Deus nos proteja dos vírus intermitentes que insistem em permanecer nas estâncias mais distantes, pobres e esquecidas desse nosso Brasil e que matam ou aleijam mais que a COVID 19.
As pessoas brigam, se ofendem, porque um senhor candidato com recursos próprios, fruto de trabalho seu e de sua família, ousou doar uma tonelada de comida para o Hospital do Câncer, mas se calam e, até mesmo, defendem o dinheiro eternamente escasso dos cofres públicos que nunca é suficiente para acabar com a lama, o lixo e os matos, assim como com o tudo mais que só funciona a meia boca e ainda acham bonito os altos salários, os enriquecimentos repentinos e uma charola constante e altamente constrangedora para quem consegue enxergar a pobreza e a carência de quase tudo, principalmente de educação cidadã, possível de se encontrar em cada localidade desta cidade, menos é claro, lá pelas bandas dos ricos veranistas, assim como, consegue enxergar com dolorosa nitidez toda a desfaçatez abusiva que travestida de bondade e boas intenções, lá vai engabelando este povo humilde.
Aqui se faz e, com certeza, aqui se paga, nem sempre com a perda de bens, mas com a perda da paz, precioso ganho destinado a poucos.

Regina Carvalho, carioca, professora,
publicitária, filósofa social e colunista,
membro da Academia de Letras do Recôncavo.
Natural do Rio de Janeiro. 39 anos da vida dedicados
a escrever em jornais de Minas, Brasília e Bahia.
Locutora e diretora da Rádio Tupinambá, FM – Itaparica
e editora do Jornal Variedades – Itaparica – BA.