DE HISTÓRICO A RECORRENTE

Mas a cara de pau, continua a mesma, frente às reações indignadas da população.
Os problemas de infraestrutura que domina e escraviza os cidadãos itaparicanos atravessam décadas; e foi na esperança em vê-los solucionados que a atual gestão foi eleita de forma espetacular em relação aos seus concorrentes.
Não havia a infantilidade de se acreditar que em quatro anos, tudo estaria resolvido, mas havia a esperança de que, em cada localidade, os problemas mais graves e de maior extensão abrangente aos seus moradores, tivesse finalmente, uma solução, o que daria, com toda a certeza a devida credibilidade para um novo mandato, onde seria possível, oferecer aos munícipes o direito de ir e vir com dignidade.
Mas isso não ocorreu e a emoção da esperança logo se transformou na dor da decepção de um povo simples que acreditou numa virada histórica, colocando no poder uma mulher que deduziram possuir a sensibilidade de uma verdadeira mãe zelosa, profundamente conhecedora do melhor para seus filhos.
No decorrer dos primeiros meses de gestão, toda a euforia do povo foi se dissipando através das ações truncadas, confusas e contrárias a todas as expectativas previstas, mas ainda, havia a dúvida santa, destinada aos poucos qualificados em gestão pública, mas até isso, se dissipou como névoa com a chegada do sol do esclarecimento brutal de que, além do palanque, nada verdadeiramente existia que pudesse corresponder às necessidades primárias e fundamentais do povo.
Aí, o Governo do Estado corre no socorro da inoperância, calçando aqui, asfaltando ali, inaugurando isso ou aquilo, assim como frente às cobranças insistentes e a tardia conscientização de que o povo não estava nadinha satisfeito, pequenas e pouco necessárias obras foram sendo realizadas, garantindo assim apoios de seus líderes comunitários que ameaçavam abandonar o barco.
Não houve nesses quase quatro anos de mandato um direcionamento direto e irrestrito às prioridades do povo, infelizmente, as ações se resumiram a focos isolados que atendessem os redutos eleitorais expressivos, deixando abandonadas as demais comunidades, utilizando-se sistematicamente das mesmas desculpas, também históricas, de sempre, deixando o povo mais que magoado, puramente indignado, pois, todos tinham conhecimento das verbas milionárias recebidas como jamais dantes havia acontecido, nesta comarca.
Portanto, na qualidade de cronista e observadora dos fatos que se apresentam, lamento que a milhares de quilômetros de distância, eu tenha sido telespectadora de toda essa vergonha que me é intima no cotidiano e que foi mostrada nesta manhã através da Televisão.
O primarismo do secretário de obras poderia ter sido poupado assim como a manutenção do flagelamento de toda uma cidade.
Seria surreal se não fosse a dura realidade de todos nós que em Itaparica vivemos.
A recorrência dos problemas, quando não faltam os devidos recursos, senhores executivos de Itaparica, somente acontece, na inoperância das posturas e providências, assim como administrar o erário público, determinando as prioridades não é tarefa para principiantes.
Se está bom para vocês, que saboreiam do filé mignon, há muito já não satisfaz ao povo, cansado de roer os ossos.

Regina Carvalho, carioca, professora,
publicitária, filósofa social e colunista,
membro da Academia de Letras do Recôncavo,
natural do Rio de Janeiro, 46 anos da vida dedicados
a escrever em jornais de Minas, Brasília e Bahia.
Locutora e diretora da Rádio Tupinambá, FM – Itaparica
e editora do Jornal Variedades – Itaparica – BA.