CONTAS REJEITADAS

Essa história de contas rejeitadas sempre causou polêmicas na cidade, principalmente nos anos eleitorais, todavia, nem sempre acontecem devido a irresponsabilidades dos gestores.
A questão que deveria ser observada é justamente os motivos que ocasionaram.
A questão da extrapolação da folha, seria absolutamente compreensiva, se a mesma ocorresse em relação ao amparo dos munícipes, o que, sinceramente, parece não ser o caso, pois, os valores salariais que fogem à realidade da cidade, são pagos em sua maioria à pessoas de outras cidades, onde alguns, ainda pesam na questão do transporte e alimentação.
O povo, de forma geral, desconhece os mecanismos públicos de administração e ficam empolgados com as prestações de contas, seja para aceitá-las ou rejeitá-las, num esquecimento primário de que as mesmas são cuidadosamente preparadas por especialistas que as moldam ao gosto dos tribunais, todavia, as pressões políticas sufocam os gestores que, nem sempre, conseguem manter os parâmetros exigidos por lei.
Essa parte é visível e, por esta razão, causa sempre alvoroço.
O que o povo precisa se ater é nos itens em que necessitariam de uma fiscalização mais apurada, assim como questionadas, que deveria ser exercida pelos vereadores, mas que infelizmente, não o fazem (se omitem e se fazem de ignorantes, sistematicamente).
Respondendo á senhora Prefeita Marlylda, penso que o fato de, eu gostar de conhecer as leias que regem a administração pública,, não faz de mim uma pessoa que tudo sabe, todavia, nos quesitos intenções versos linguagem, até mesmo pelo meus estudos filosóficos, fui aprendendo um pouco a identifica-los, se bem que na linguagem política brasileira, não é preciso se possuir muita expertise, pois, o primarismo da arrogância impera sem acanhamentos, assim como a presunção de que todo mundo é sem noção.
De qualquer forma, o povo sempre paga a conta final e isso precisaria mudar de alguma forma, pois, assim, os gestores se elegeriam pelos seus próprios méritos e seus apoiadores iriam cantar noutros terreiros, pois, reconheço o inferno em que a senhora e tantos outros são obrigados a vivenciar, em meio a este sistema político viciado, repleto de carniceiros e sem qualquer moral que o sustente.
Dizer não ao sistema é uma tarefa para gigantes ou malucos e eu, particularmente, não acredito que possa acontecer, todavia, tentar frear os desmandos é sempre possível, e a senhora prometeu, daí, a imensa e estrondosa rejeição que acontece desde o início de sua jornada à frente do executivo de Itaparica.
Particularmente eu torci e ainda torço, pois, mesmo que eu só soubesse assinar o meu nome, ainda assim, teria o bom senso de sempre torcer pelo progresso de minha cidade e meu país, porque, afinal, se eles estiverem mal, com certeza, eu e meus vizinhos também estarão.

Regina Carvalho, carioca, professora,
publicitária, filósofa social e colunista,
membro da Academia de Letras do Recôncavo.
Natural do Rio de Janeiro. 39 anos da vida dedicados
a escrever em jornais de Minas, Brasília e Bahia.
Locutora e diretora da Rádio Tupinambá, FM – Itaparica
e editora do Jornal Variedades – Itaparica – BA.