ALIANÇAS POLÍTICAS

O motivo de eu estar escrevendo nesta manhã de junho é porque estou me sentindo como cega em meio a um tiroteio, e não acho certo, uma vez que, diariamente, escrevo e tenho certeza de que meus textos de alguma forma colaboram para uma dinâmica avaliativa, todavia, assim como qualquer pessoa, não gosto de ser feita de boba e de me sentir joguete nas mãos de meia dúzia que detém o poder em Itaparica.
Ouço as lives e, sinceramente, tem limites até mesmo em relação às próximas eleições, pois, tudo que observo é um constante uso das palavras de forma generalizada, não havendo qualquer maior intenção de esclarecimentos à população, pois, escamoteiam-se situações, colorindo uma pílula há muito vencida, na certeza absoluta de que nós, aflitos doentes, as tomaremos de qualquer jeito.
Não estou sentindo firmeza nas alianças políticas e fico me perguntando, que merda é essa, onde os interesses do povo é o que menos importa.
Dirão os entendidos que estes fatos são os acordos normais e habituais que ocorrem nas pé-campanhas e que até a convenção tudo se definirá, mas a pergunta que fica é:

  • Definirá para benefício de quem?
    A história atávica do desenvolvimento em todos os setores da cidade é o retrato fiel destes acordos engendrados simbioticamente a cada eleição, onde meia dúzia, faz de suas vidas ascensão financeira e social, quando, além disso, alguns, ainda acrescentam prestígios além Baia de Todos os Santos, ampliando riquezas e títulos.
    E nós, continuamos entre desculpas e acusações por longos quatro anos que se sucedem infinitamente, mergulhados em um atraso vergonhoso e indigno.
    Políticos se atacam mutuamente, crendo que somos otários, quando, no submundo do poder, negociam seus interesses e conveniências, maculando o único sentido democrático que deveria ser o norte de qualquer pretenso defensor do verdadeiro bem-comum.
    Escrevo sobre um contexto repetitivo, gasto e corroído e que ainda recebe apoio das lideranças, pois, também passa a ser o desejo latente de cada uma delas, atingir o nível sonhado de pertencer a uma elite mofada, mas que rende frutos e benécias mil.
    O povo, este, segue como manada aos estalos dos chicotes dos boiadeiros, cavaleiros treinados e resistentes ao longo da jornada.
    E quando a astúcia não vence, o saco de cimento, as telhas, a caixa de cerveja e a merenda soam mais fortes, convencendo aos incautos a esperarem os próximos quatro anos.

Regina Carvalho, carioca, professora,
publicitária, filósofa social e colunista,
membro da Academia de Letras do Recôncavo,
natural do Rio de Janeiro, 46 anos da vida dedicados
a escrever em jornais de Minas, Brasília e Bahia.
Locutora e diretora da Rádio Tupinambá, FM – Itaparica
e editora do Jornal Variedades – Itaparica – BA.

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