ODE AO INÍCIO DE TUDO…

Nesta manhã nublada, ouvindo ops.9.N2 de noturno de Chopin, que há muito, transformei em meu parceiro constante das escritas, deixo como de costume a minha alma ditar os meus escritos, nos costumeiros mergulhos no meu apenas, interior de mulher, fragmentada nas emoções proporcionadas pela potencialidade incomensurável da vida.

Entre os labirintos, nem todos ainda desvendados, lá encontro o início do meu tudo, razão de ser o que sou, sentir o que sinto e amar como amo, confirmando uma intuição que permeou as certezas dos meus quereres, de que o amor, quando divinamente se instala numa criatura humana, não morre, quando muito, se aquieta, se recolhe e se perdoa, na compreensão necessária de que nem sempre dele éramos merecedores na sua completude.
Mas ainda assim, na generosidade que o amor faz brotar em nós, seguimos a diante, forrando nossas passadas com o tapete que amacia as nossas caminhadas, para que possamos em parte nos redimir e em parte nos perdoar.
E no misto de redenção e perdão, distribuímos o amor que foi plantado em nós, transformando-nos em contínuos semeadores que em algumas ocasiões, se apresentam como campos secos ou pedregosos, só suportáveis porque no cesto da tarefa, as sementes são de amor.
Reconheço neste instante de minha vida, que o meu princípio em tudo, foi gigantescamente sublime ao ponto de nada, absolutamente nada, ter sido capaz de empanar.
Desde o despertar suave de meus sentidos, aos beijos doces que dei e recebi e do primeiro espetacular orgasmo, pérolas inestimáveis que estruturaram e adornaram o meu caminhar.
Gratidão meu Deus!!!
Que fiz para merecer tantas bençãos que neste instante, percebo sorrindo, emocionada e em paz, que o amor no princípio de tudo, sempre me presenteou e que ainda hoje, sou capaz de associar à constância e fidelidade das gotas da chuva, deslizando incansavelmente nas folhas do cipó Imbé que simplesmente me hipnotizaram, quando eu ainda era somente, uma menina.
Bendita natureza que fez do início do meu tudo, estreias inesquecíveis.