O VANDALISMO

É muito difícil escrever sobre a destruição do patrimônio público de nossa Itaparica.

Na realidade em qualquer parte é possível constatar-se este tipo de absurdo, mas é absolutamente incompreensível para o meu racional, numa cidade pequena, absurdamente linda, mas pobre, que alguns munícipes, seja lá por qual motivação, venham a cometer este delito inominável.

Creio que não cabe querer entender, mas sim lamentar, esperando que de alguma forma, estas pessoas possam compreender que cada tostão do erário público direcionado a restauração da ornamentação da cidade que foi destruído, certamente, poderia estar sendo direcionado para a compra de cestas básicas e remédios, possivelmente, para as famílias deles.

Mas quem de verdade acredita nisto?

Quando falo que a educação é ampla e irrestrita e não cabe somente no seu gigantismo, entre quatro paredes de uma sala de aula, busco apontar a necessidade de expandi-la nas comunidades entre as famílias, numa assistência mais humanizada e personalizada, afim de que cada criatura envolvida se reconheça como um ser enxergado e amparado pelo poder público e se torne um parceiro, um guardião ferrenho do patrimônio que compreende sentindo lhe pertencer, com o senso de pertencimento forte e estimulador.

Nada poderá se desenvolver a contento, se não houver por parte das autoridades públicas, um olhar diferenciado de gestão, onde a pessoa humana precisa estar em primeiro lugar.

Não como uma manada que periodicamente é marcada a ferro e fogo, nas urnas eleitorais, mas pessoas que precisam deixar de implorar por um atendimento médico, um remédio ou uma cesta básica.

Quando digo que amo a minha Itaparica é justo porque, aqui, sinto-me como parte importante deste todo simplesmente maravilhoso, aonde deixei de ser mais uma, para ser a Regina e isto, chama-se senso de pertencimento, que este mesmo povo me oferece com seu amoroso acolhimento, portanto se sabem oferecer, merecem receber.

Na modéstia de meus entendimentos, acredito que somente com o despertamento deste sentimento, poder-se-á oferecer uma verdadeira educação, aonde cada cidadão se sentirá guardião de um patrimônio que também é seu, independentemente de suas opções políticas ou realidades econômicas.

Quando os governantes, principalmente de pequenas cidades como Itaparica, entenderem a necessidade de trabalharem suas secretarias alinhadas umas as outras, priorizando a criatura humana nas suas mais básicas e dignas necessidades, nominando e estabelecendo coerência nas ações previstas, com certeza, estarão governando com sabedoria e vandalismos como estes que ora ocorrem, certamente deixarão de existir.

Uma mudança na história seja do que for, deve começar através da junção da educação formal e da educação cidadã alinhada ao  empírico das ações humanitárias, onde o respeito seja a tônica nas relações, homem X comunidade.

Se uma rua for ser calçada, cada cidadão precisará estar inserido em programas sociais de amparo respeitosamente humanitário.

Simples assim…

Afinal, reestruturar anos de atrasos e abandonos é bem mais laborioso que simplesmente construir, todavia, possível e bem menos burocrático e muito mais econômico.  Discursos banais de combate a violência de qualquer natureza, há muito, só rendem votos, jamais ações eficazes.

Investir no ser humano é compreender que tudo “vale a pena se a alma não é pequena” Fernando Pessoa.

Esportes e artes, caminhos profícuos de aperfeiçoamento,  precisam estar dentro de cada comunidade, para que todos se sintam beneficiados.

Antes de qualificar tais destruições como crimes, pensemos que na realidade são gritos de angustia de pessoas sistematicamente  excluídas.