O MESMO SEMPRE DIFERENTE…

Há dias eu não me deliciava com a suavidade de Chopin, mas nesta manhã de quarta-feira ao acordar, minha mente imediatamente fez-me ouvir o dedilhar de um piano tocando Noturno e o passo seguinte, foi o de postar-me diante do notebook para ouvir esta belíssima canção, dedilhando mais um texto desta minha vida, não menos deliciosamente incrível.

Enquanto escrevo, posso também ouvir os pássaros se achegando bem devagarinho com suas cantorias, sem que haja qualquer interferência no som já presente, como se um, fosse o complemento do outro e aí, impossível não fazer um comparativo com o cotidiano de minha vida, onde, não sei dizer exatamente quando, as muitas inerências passaram a não mais, interferirem umas nas outras, como se cada aspecto importante tivesse o seu lugar de destaque, não mais havendo qualquer tipo de disputa. Perdeu a graça, o fato indiscutível da presença da bendita harmonia? Ao contrário, hoje posso sentir cada aspecto, sem qualquer culpa ou interferência, entregando-me por inteira aos momentos espetaculares que se apresentam, um a um em suas grandiosas importâncias para mim. Tal qual, em relação a música, a cada dia, surpreendo-me com as mesmas melodias, intercaladas de acordo com as minhas emoções, e através delas, deixo fluir o melhor de mim. Meus pássaros estão bem próximos e nem assim, sua orquestra universal é capaz de abafar a magnitude dos acordes inspiradores de Chopin, porque é nele, que hoje estou focada. Que nesta manhã de vida, também você harmonize os seus instantes, entregando-se por inteiro, seja lá para o que ou para quem for.