O LIXO DE TODOS NÓS

Hoje, com a chuva caindo insistente lá fora e trazendo o ventinho frio do inverno, que mesmo na Bahia se faz presente, minha mente de escrevinhadora pede música clássica e minha alma prefere palavras com sabor de chocolate quente, na esperança de me fazer entender, porque afinal, sempre só quis despertar nas pessoas, o tudo de bom que já despertou em mim.


Será que um dia, ainda poderei dizer que um político entendeu as minhas mensagens, sem se sentirem diretamente ofendidos, imediatamente utilizando-se da maquina pública que tanto defendo para maquiar minhas intenções, quando, deveríamos estar unidos para de verdade, pelo menos tentar mudar padrões que em campanha foram ressaltados e usados como moeda de votos?
Se discursos pontuais e rede social, mudassem velhas e corroídas posturas de um povo acostumado a viver em meio a lama, o lixo e quase nada, certamente Itaparica com pouco mais de 20.000 habitantes, já seria de verdade a “princesinha da bahia de todos os santos”.
Eu poderia ficar aqui escrevendo laudas sobre os malefícios do lixo a céu aberto, assim como fazer uma lista extensa de atividades que há muito os gestores desta cidade já poderiam ter implantado afim de acabarem de vez com esta chaga que mais que chocar, adoece e marginaliza uma cidade e seu povo, mas não o faço, porque ninguém leria, por outro lado, com microfone, câmera de filmagem ou com infinitos textos, já o tenho feito ao longo de minha permanência nesta cidade que escolhi para viver e amar.
Volto, neste instante com a insistência amorosa de quem não acusa quem quer que seja, apenas alerta e pede socorro, pedir que coloquem a máquina pública na paixão e determinação que sabem mostrar, na efetiva tarefa de eliminar esta ferida que cheira mal e contamina, porque, afinal, sem a interferência da máquina pública, além do convencional recolhimento, velhos e viciados hábitos, jamais serão alterados.
O recolhimento existe, mas é pífio, já que não abrange a maioria das ruas do município, portanto, colocar o lixo nas portas, só mesmo no centro e nas orlas, mas não é só isso, afinal, e os matos, a lama e a pouca presença eficaz das secretarias no atendimento das demandas?
Como posso por exemplo fazer de minha rua, continuidade de minha casa, se não consigo sequer ter um acesso digno humano, só atendendo aos cavalos e cães abandonados?
Vamos falar sério, afinal, já estaríamos dando um gigantesco passo para iniciarmos uma campanha real e produtiva, quanto a educação ambiental dos cidadãos e consequente extermínio desta vergonha de todos nós.
.” Essa é uma tarefa que não basta frases bonitas e pontuais, assim como coleta e boas intenções, mas que exige uma força tarefa de conscientização urbana e de saúde, contínua e eficiente que verdadeiramente leve cada cidadão a adquirir o bendito senso de pertencimento”.
Cada agente público tem que ser um divulgador, cada secretaria precisa abraçar a causa através das suas corriqueiras ações, para que cada cidadão seja cooptado a participar desta empreitada que não tem sigla partidária e nem bandeiras, apenas amor por si mesmo e pela nossa Itaparica, recanto ainda de paz e beleza, terra de todos nós que a amamos.
Vamos de verdade, fazer história a partir de cada um de nós.