Mangueira

PRONTO, preciso confessar que hoje, estou sem nada na cabeça ou ao contrário, tudo e não sei o que escolher para escrever.

Neste sábado, acordei tendo na mente o carnaval e a música da verde rosa, minha sempre favorita “Mangueira”.

Definitivamente, não sou uma pessoa normal, afinal, quem acorda tendo na mente uma escola de samba?

Penso que talvez, eu esteja precisando de férias, mas na realidade, desde que a rádio fechou, passei a vivenciar um dia atrás do outro de absoluta falta de obrigações, se bem, que neste meio tempo, fiz política, perdi meu marido, viajei para S. Catarina e, portanto, emoções não faltaram.

Sinto uma saudade imensa de segurar um microfone, simplesmente adoro, pois, é a mesma emoção que sinto ao sentar-me diante de um teclado, dedilhando minhas palavrinhas que nada mais são, que meus sentimentos.

Jamais precisei fazer roteiro impresso do que iria tratar dia após dia e não me faltavam ideias, como se o universo me enviasse telepaticamente, os temas a serem colocados no ar.

O mesmo ocorre com meus escritos diários e a seleção das músicas que escuto, até mesmo, neste instante, quando afirmo estar sem inspiração.

Se eu fosse uma médica, advogada, engenheira ou qualquer outra profissão, teria os conhecimentos pré-estabelecidos, através de estudos e experiências, mas sou apenas uma escrevinhadora, uma poeta cronista do cotidiano, precisando tão somente estar atenta.

Mas Deus… São tantas e tantas informações para serem observadas e processadas até que se tornem uma só crônica, que em dias como o de hoje, tudo se embaralha e sem saber por qual, devo optar.

Penso então, que melhor é não escrever sobre absolutamente nada, apenas respirar fundo para conter a ansiedade, deixando a mente descansar e o coração se aquietar e talvez, quem sabe, mais tarde eu possa mais tranquilamente, deixar a mente apenas fluir.

Por enquanto, fico com o refrão: “ATRAS DA VERDE E ROSA, SÓ NÃO VAI, QUEM JÁ MORREU”…