FECHANDO O ANO

Passei a minha vida escrevendo e falando sobre a bendita ética que é imprescindível no amor e na política e infelizmente, nestes 50 anos de escrevinhadora, tornei-me uma repetidora incansável, já que para uma idealista, desistir é uma atitude impossível de existir.
Houveram momentos em que acreditei que algo de verdade estava acontecendo, mas logo em seguida, percebia que eram, tão somente, pipas coloridas, enfeitando os céus de nossas mentes.


Sinto que estamos evoluindo, mas constato ao longo dos anos, os passos lentos que são dados neste trajeto amoroso e político, receando que infelizmente, não sobreviverei para ter o prazer em poder constatar que as pessoas, enfim, possam conviver sem se digladiarem por todo o tempo, privilegiando o bom senso e o resguardo seu e dos demais, fazendo da ética mental e consequentemente postural, ações voltadas ao bem comum.
Fecho o ano de 2021, absolutamente agradecida por todos os carinhos que recebi, mas lamentando que ainda somos um povo dividido e egocêntricamente alienado, impossibilitado ainda em separar o joio do trigo, trocando seus inalienáveis direitos pessoais, pelas fantasias partidárias, desconsiderando os fatos indiscutivelmente comprovados através da falta da ética, que geralmente, se escoram em leis manobráveis e adaptáveis ao gosto da expertise contábil e jurídica.
Estudar filosofia, abriu-me a visão e deu-me caminhos para que eu enxergasse além do óbvio que se mostra adequado, substanciando os fatos que em sua maioria, se contradizem na lógica avaliativa, entre o executado e o ardilosamente camuflado.
Rogo a Deus, poder continuar dedilhando ou com um microfone nas mãos, ainda por mais algum tempo, amparada na certeza absoluta de que para cada texto ou discurso esclarecedor, nem que seja uma única pessoa, possa compreender as minhas mensagens e intenções e ser mais um a reverberar, não a minha verdade, mas a eloquência de uma ética partida que malvadamente, mantém a fome, a dor e a miséria como estandarte do atraso humano.
Que em 2022, possamos de alguma forma, aliviar estas mazelas em nossa Itaparica e no nosso país, fazendo de cada um de nós, amantes fervorosos da paz e da dignidade humana.