Guto comemora estreia na Série B com vitória sobre o Cruzeiro

Foi diante de mais de 15 mil torcedores ainda meio desconfiados que o Bahia estreou na Série B 2022 – e aproveitou para quebrar o gelo e a tensão com quem estava na arquibancada. Na Arena Fonte Nova, o Tricolor bateu o Cruzeiro por 2 a 0, com gols marcados por Vitor Jacaré, em um passo para deixar para trás as eliminações no Campeonato Baiano e Copa do Nordeste.

A torcida fez bonito e logo iniciou uma coreografia para apoiar o atacante, que fazia sua primeira partida com a camisa do time baiano.

Após o jogo, Guto Ferreira avaliou o desempenho de seu time e foi categórico ao afirmar: “Soubemos sofrer”.

“Acho que nós temos um jogo coletivo e mostramos uma coletividade defensiva que antes não mostramos com tanta força. Soubemos sofrer hoje”, disse.

O treinador avalia que as eliminações do início da temporada deixaram nos atletas um gosto amargo, que os motiva a dar a volta por cima. Guto destacou o tempo de treinamento e a confiança vista em campo.

– A pergunta sua traz um pouco do lado místico para amenizar o estágio em que a gente estava, que acabou não conseguindo desenvolver. Mas esse estágio, a gente sabia que corria o risco. E as pessoas, antes de organizar as competições e a montagem das equipes, elas têm que olhar um pouco para o que acontece no futebol brasileiro. Uma equipe que sai de férias dia 10 de dezembro, dia 10 de janeiro está treinando para dia estrear no dia 15… E aí acontece uma série de coisas. E tudo que a gente falou, desculpe a falsa modéstia, tem acontecido. E, graças a Deus, está acontecendo. É consciência dos estágios – disse.

– Fizemos um grande jogo, mas temos que avançar a ponto de jogar em um nível mais alto e trazer essa confiança. São estágios. Mas eu posso dizer que essas competições em que nós fomos mal, por outro lado, trouxeram uma dor para o jogador que ele não quer de novo. E fez com que ele focasse ainda mais, se determinasse ainda mais. E que a vivência de grupo fizesse que cada um aprendesse sobre o companheiro – completou.

Guto Ferreira, técnico do Bahia — Foto: Felipe Oliveira/EC Bahia

Guto Ferreira, técnico do Bahia — Foto: Felipe Oliveira/EC Bahia

Agora, o Bahia se prepara para duas partidas fora de casa na Série B, contra Náutico e CSA. O Tricolor volta à Arena Fonte Nova contra o Azuriz-PR, no dia 19 de abril, pela Copa do Brasil, e enfrenta o Sampaio Corrêa no dia 26.

Guto Ferreira pediu que o time repita a postura vista nesta sexta e aproveitou para convocar o torcedor.

– É uma questão que temos que ter uma postura assim, respeitando cada adversário e se entregando muito. Quanto ao nosso torcedor, precisamos deles. E, principalmente, com essa postura de hoje. Hoje não jogamos com 11. Jogamos com muito mais. Só para ter uma ideia. Você está falando de acreditar… Eu entrei para dar entrevista antes da partida, e um garoto veio, me chamou, e me ofereceu uma fitinha do Senhor do Bonfim. É fé, acreditar. Ele mostrou para mim. E a resposta para ele e todos: acreditem e venham juntos que nós vamos chegar.

Bahia volta a campo na próxima sexta-feira. Desta vez, o adversário vai ser o Náutico, nos Aflitos, às 21h30 (horário de Brasília).

Confira abaixo outros trechos da entrevista de Guto Ferreira

Análise da partida
– Se tivesse assistido às três semanas, você diria que “o Guto trabalhou isso, aquilo”. Fizemos um treino em que a equipe adversária tinha volume. Ganhamos muitas primeiras bolas. Nosso meio saiu mais rápido. Eles tentaram sair de tudo quanto foi jeito. E nós não demos a saída de bola para eles. E nós tínhamos três caras na frente, que contra-atacavam. E por detalhes não fizemos três, quatro gols. Muitas vezes, a imprensa critica, mas não vê o espaço que o treinado tem para treinar, o respaldo que o treinador tem. São situações que o treinador brasileiro precisa trabalhar. Não é pelo fato de ser estrangeiro que ele é bom. Tem treinador em todos os lados do mundo. Aqui, às vezes, a imprensa comenta demais. Não estou dizendo que a imprensa baiana. Talvez o eixo Rio-São Paulo.

Virada de chave
– Acho que a virada de chave foi a derrota para o Sport que fez todo mundo refletir e voltar. Tivemos uma semana para estruturar um pouco mais, buscar descansar. Fizemos 12 jogos sem descansar. E sem plantel. Os meninos que entravam era mais inexperientes e não conseguiam manter a equipe em alta. Culpa dos meninos? Não. Eles não podem ser a solução. Devem entrar depois de estabilizados no plantel.

Reforços vão jogar?
– Didi até que foi, dos que chegaram, o que mais treinou. E tem bola para ser titular. Como eu vou mexer na zaga hoje? Os caras ralaram para caramba. A gente tem que… Não podemos jogar com nomes. É Esporte Clube Bahia. Não é Esporte Clube Dicionário. Dentro do processo, estão merecendo estar. Didi vai merecer em algum momento. E aí é desempenho.

– César, mesma situação. E a posição de goleiro é ingrata. Quem diria que acontecia que Danilo Fernandes teria sido retirado da equipe por irresponsabilidade de determinados torcedores? E aí os meninos acabaram dando uma derrapadas e tal. Os meninos não. O Claus, quando entrou, foi bem. O Teixeira, no caso. Mas é um grande goleiro que já me tirou uma Copa do Nordeste. Tem que respeitar ele.

Post Author: Redação

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