Jogadores brasileiros embarcam em trem após fuga às pressas de hotel em Kiev

O grupo de jogadores brasileiros, suas famílias e profissionais do futebol ligados ao Shakhtar Donetsk e ao Dínamo de Kiev conseguiram deixar o hotel em Kiev, onde estavam em um bunker, em direção a uma estação de trem. Todos os carros exibiam bandeiras do Brasil. Eles embarcaram em um trem rumo a Chernivtsi, para então pegar outro trem para sair da Ucrânia.  Segundo os jogadores, a fuga foi possível por causa da ajuda da Federação Ucraniana de Futebol e Uefa,que ajudaram na saída do hotel e escolta até a estação de trem, e da Embaixada do Brasil, com opçoes de novos trens para sair de Kiev.

De acordo com o fisioterapeuta Luciano Rosa, que estava com o grupo no hotel, eles conseguiram embarcar antes do toque de recolher, às 17h locais. Ele colocou um vídeo em sua rede social.

Atletas e funcionários do Shakhtar Donetsk e do Dínamo conseguiram embarcar em trem para Chernivtsi
Atletas e funcionários do Shakhtar Donetsk e do Dínamo conseguiram embarcar em trem para Chernivtsi

No entanto, o jogador de futsal Matheus Ramires, mais um companheiro de time e um estudante ficaram para trás. Matheus, que se juntou aos atletas do Shakhtar e do Dínamo porque entendia que assim teria mais condições de fuga, contou para a Globonews que foi tomar banho, após 38 horas no bunker, e nesse tempo os brasileiros saíram do hotel.

Na noite anterior, eles haviam decidido ficar no hotel porque não se sentiram seguros de andar a pé até uma estação de trem para tentar pegar o primeiro trem oferecido pelo Itamaraty como alternativa para chegar à fronteira da Ucrânia com a Romênia. E citaram o caso dos atletas portugueses que fugiram do país com automóveis disponibilizados pela Embaixada portuguesa.

Desta vez, porém, eles conseguiram sair do hotel em carros e fizeram um comboio, como mostrou Maria, a esposa de Marlon, nas redes sociais. Ela estava fazendo uma transmissão ao vivo no Instagram e disse que todos os brasileiros estavam no camboio.

Segundo ela, outros trens foram colocados à disposição para a fuga dos brasileiros pela Embaixada do Brasil e “que foi uma correria porque foi avisado de última hora”. Todos os atletas e funcionários conseguiram embarcar.

“Chegamos na estação, nos vemos no Brasil se Deus quiser. Orem por nós”, disse Maria em vídeo.

Ela e outros atletas do comboio mostraram a fuga e o combio pelas ruas da capital vazias. Maria estava apreensiva e emocionada:

“É tudo muito assuatador. Orem pela gente”.

Em menos de 24 horas, eles haviam divulgado outro vídeo de dentro do hotel lamentando o fato de que teriam perdido o primeiro trem oferecido pelo Itamatary.

Explicaram que não se sentiram seguros de caminhar cerca de um quilômetro, com crianças e idosos, até uma estação de trem/metrô para embarcar rumo ao local informado pela Embaixada do Brasil.

Diziam que “não querem luxo e sim profissionais que venham nos salvar, nos ajudar”. Também observaram que, diferentemente do Brasil, o governo de Portugal já “efetivamente ofereceu veículos para um plano de fuga de seus cidadãos”

Atletas portugueses do Shakhtar assim como o técnico Paulo Fonseca haviam conseguiram deixar o país em automóveis disponibilizados pela Embaixada portuguesa.

De acordo com o portal “Mais Futebol”, foram mais de vinte e quatro horas viajando em dois carros, cada um de quinze lugares, que tiraram todos os portugueses que estavam na capital ucraniana do país.

O comboio saiu pela fronteira com a Moldávia em direção a Romênia. De lá, pegarão voo de volta a Portugal.

No vídeo, Marlon começa explicando:

“Mais uma vez estamos aqui reunidos, desta vez indignados porque está chegando num nível de cansaço e commuita agonia e a falta de alimento, de fralda e de leite tem aumentado. E a gente não vê uma solução. Está muito difícil. Pedimos ajuda, por favor”.

Em outra parte, Maicon fala:

“A única solução que deram para nós foi o tal de trem, mas estamos numa área em que infelizmente está na guerra e até chegar ao trem ou metrô (para viajar à estação citada pela Embaixada) teríamos de andar por cerca de um quilômetro com crianças e idosos, não teríamos transporte nem suporte da embaixada para chegar nesse transporte em segurança. Concordamos, todos, que seria inviável e resolvemos nos manter aqui, em segurança e com vida”.

Post Author: Redação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.