Roger admite ansiedade antes de primeira final no Bahia

Após apenas uma semana no Bahia, o técnico Roger Machado já sentiu a “mística tricolor” e, pouco tempo após se recuperar da forte emoção, se prepara para a primeira final no comando do time. Na última terça-feira, na sua estreia, ele viu a equipe avançar na Copa do Brasil diante do CRB com gol de Elton nos acréscimos. Neste domingo, Roger comanda o Tricolor na decisão do Campeonato Baiano diante do Bahia de Feira, em Feira de Santana.

Em entrevista coletiva concedida antes do treino desta sexta-feira, o treinador até brincou ao ser lembrado do pouco tempo que tem no Bahia, às vésperas da primeira final.

– Uma semana? Parece que tem um ano que estou aqui [risos].

Quando o assunto é decisão, o treinador já está calejado: esta será a sua terceira final consecutiva de campeonato estadual. Em 2017, foi campeão com o Atlético-MG diante do Cruzeiro e, em 2018, perdeu o título pelo Palmeiras jogando contra o Corinthians. Embora tenha larga experiência no assunto, o treinador não esconde a ansiedade antes de uma partida decisiva.

– No dia em que o profissional do campo não tiver o friozinho na barriga e a ansiedade antes do jogo decisivo, pode parar. Porque perdeu o entusiasmo pela profissão e tudo que envolve os jogos finais de campeonato. Minha ansiedade é controlada pela experiência de mais de 25 anos no esporte. Os atletas sabem que, quando entram em campo para fazer o que de melhor sabem, a ansiedade é controlada por saber o que se vai fazer em campo. Mas não tenha dúvida, são momentos que antecedem os jogos que são de muita expectativa – avalia Roger Machado.

Neste pouco tempo de clube, Roger mostrou satisfação pelo início de trabalho e valorizou os treinamentos e nível de concentração. Sobre o assunto, o treinador comparou os atletas a carros de Fórmula 1.

– Entendo que tem que treinar o jogo para jogar o treino. Para mim, o processo de treino é importante. Por isso, muitas vezes no futebol brasileiro, quando se tem pouco tempo para trabalhar, as coisas não acontecem do jeito que se deseja. Precisa de treino para definir proposição e estratégia de jogo. Quanto mais intenso o treino, menor o volume e o tempo que terei em campo, e isso gera um desgaste menor. Para se jogar em intensidade, precisa treinar em intensidade. Além dos aspectos táticos, físicos e técnicos de uma sessão de treino, tem algo muito importante e que precisa ser treinado, que é o nível de concentração. Manter o nível de concentração elevado durante todo o treino, isso vai para o jogo. Os atletas precisam entender e assimilar esse modelo o mais rápido possível. Para mim, eles são muito parecidos com carros de Fórmula 1: têm os melhores mecanismos à disposição para extrair o melhor da máquina. Como temos máquinas que medem o nível de cansaço e o desgaste, temos que levar gradativamente eles perto do limite. Tem carros que nem saem do grid. Isso não significa que o mecânico não tem capacidade. Apenas a tentativa de extrair o máximo daquela máquina, que é o jogador de futebol.

Roger também valorizou o adversário deste domingo. Dono da casa no jogo de ida, o Bahia de Feira venceu o Tricolor quando as duas equipes se encontraram na fase de grupos do Campeonato Baiano.

– Tem peso muito grande. Se nosso adversário chegou nesse momento decisivo da competição, é porque tem muito mérito. Temos o dever de estar com tudo pronto e preparados para uma grande disputa. Tivemos a oportunidade de ver os jogos, passar informações para os atletas, vamos treinar em cima da característica do adversário. E não podemos esquecer que fomos derrotados dentro de casa pelo nosso adversário na primeira fase. Temos a convicção de que será uma disputa dura e que o melhor vai vencer. A gente espera trabalhar bem para que o título fique na nossa casa.

Roger Machado encara a primeira final com o Bahia às 16h (horário local) deste domingo, no Joia da Princesa, em Feira de Santana. O treinador afirma que assistiu a três jogos do adversário e espera uma partida difícil.

– Vi três jogos do Bahia de Feira. Um deles no sintético. Depois no de grama natural também. Belo time, muita intensidade. Tem jogadores fortes e rápidos. O campo é bom. Venta muito. Isso gera uma questão de adaptação à distância do tiro de meta, dependendo do lado a bola mais longe, o passe, para dar mais pressão. Questão de adaptação para estar atento desde o início do jogo. Tenho para mim que será um jogo muito disputado, jogado. Jogo de final de campeonato. Espero que seja um jogo bonito, para as pessoas admirarem e participarem do evento.

Confira outros trechos da entrevista coletiva de Roger Machado:

Decisões
– Momentos de decisões tanto como atleta quanto como treinador, vêm a memória nesses momentos, quando se está entrando e se preparando para uma disputa como essa.

Elogios à estrutura deixada por Enderson Moreira
– Na verdade, o tempo foi muito curto. Tenho conversado bastante com os atletas. Aqueles que têm ido para o jogo, tem participado muito da recuperação, hoje que vou tê-los todo no campo para trabalhar. Mexi em alguns conceitos. Como disse na minha chegada, me beneficiei de uma estrutura muito bem montada pelo Enderson, colocando alguns conceitos de um jogo mais apoiado, construindo esse jogo com passes curtos, em que a gente pudesse alternar um pouco a profundidade pelo lado e o jogo interno. Já consegui enxergar alguma coisa nesse primeiro momento, isso me dá conta que os atletas estão abertos para isso. Efetivamente tempo para treinar só teremos mais à frente. Como teremos a decisão, os jogos finais do Baiano, importante salientar outras coisas, e não muito meu conceito, para continuar com essa estrutura forte que temos desde o tempo de Enderson.

Mística do Bahia
– Espero que não [precise]. Eu já estou convencido que aqui é assim. O bom disso tudo é que o torcedor espera a vitória até o último momento. Isso é bom. Até o sorteio da Copa do Brasil foi tenso. Imagina a final do Baiano como vai ser…

Retorno de Gregore
– O Gregore está em processo final, está conosco, mas está readquirindo ritmo no treino. Vou deixar essa dor de cabeça quando ele estiver apto para mim.

Londrina na Copa do Brasil
– Tudo pode ser bom, tudo pode ser ruim. Depende de como vamos conseguir administrar o que virá a seguir. Tenho quatro títulos da Copa do Brasil como atleta. Já venci e perdi de todas as formas. Disputando a primeira partida em casa, disputando a primeira partida fora. Tudo depende de como encaramos os compromissos de jogos eliminatórios, que muitas vezes são decididos em detalhes. Não dá para determinar que fugir de um dos grandes é que vai ter facilidade. Assim como no Baiano, não ter o tradicional adversário na disputa não significa que vai nos dar alguma facilidade.

fonte: GE

Post Author: Redação

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