O LIXO DE TODOS NÓS

Acabo de ler uma reflexão que minha amiga Cida Sacramento postou sobre o lixo e imediatamente lembrei-me do repeteco diário que eu e Roberto constatamos nas praias de Ponta de Areia e Boulevard que sempre nos surpreende pela variedade e abuso.
Mas precisamente hoje, no boulevard, a maré estava abaixando e lá estavam os detritos sórdidos de um povo sem educação, independentemente de seu nível financeiro/social.
Da fralda suja de fezes, absorventes, camisinhas, tampinhas de refrigerantes e água mineral, garrafas e copos plásticos, até, papeis de bala.
Tenho testemunhado, pessoas entrando na água com latinhas de cerveja, bolinhos de acarajé, embrulhados em guardanapos que em seguida, são deixamos no mar, como se este, fosse sua lixeira particular.
Tristeza e melancolia é tudo que sinto, pois raiva e revolta já compreendi não ter espaço para sentir, pois, entendo, que tais posturas são absolutamente naturais para estas pessoas, pois jamais aprenderam, fosse em casa ou na escola, nas idades adequadas, os princípios básicos de civilidade e respeito a si e aos demais, quanto mais em relação ao planeta.
Sinto que a humanidade será dizimada pelo lixo que produz e descarta irresponsavelmente.
Portanto, sensibilizar-nos com as enchentes e desabamentos é tão somente, mais uma forma hipocritamente consciente de ainda querermos nos sentir racionais e emocionalmente capazes.
Na realidade, perdemos o bonde, o metrô, a moto, o carro ou avião e até mesmo as pernas em um certo momento, que já não sabemos exatamente quando, por não sabermos assimilar tantas informações, camuflamo-nos em pessoas antenadas, mas totalmente não providas da lógica de vida e liberdade, transformando-nos em vampiros existenciais.
As desgraças que tão explicitamente a mídia explora na busca de audiência, nada ensinam, apenas registram a cada edição, mais um horror que logo é esquecido em prol de outra, num pouporri sem tréguas de loucura e devastação.
Então, como não posso frear esta insanidade, cuido silenciosamente da minha sempre possível estupidez, evitando ser mais um a destruir o esplendor da vida.

Regina Carvalho, carioca, professora,
publicitária, filósofa social e colunista,
membro da Academia de Letras do Recôncavo.
Natural do Rio de Janeiro. 39 anos da vida dedicados
a escrever em jornais de Minas, Brasília e Bahia.
Locutora e diretora da Rádio Tupinambá, FM – Itaparica
e editora do Jornal Variedades – Itaparica – BA.