NEM “A” E NEM “B”

Como é bom quando a gente ultrapassa a barreira do som social de obrigatoriamente estar deste ou daquele lado, na escolha disso ou daquilo e pode com o coração leve, tão somente atestar o visto e o tocável, assim como continuar sendo realista quanto o que ainda é só uma esperança, um desejo ou um direito.
Eu cheguei neste estágio e me sinto absolutamente livre como cidadã para atestar ou cobrar sem que minha mente esteja vinculada a dogmas ou partidarismos de quaisquer naturezas que não sejam aqueles que são capazes de fazer sorrir um único ser humano.
E aí, como não enxergar as obras que estão sendo feitas em Vera Cruz e Itaparica e que tantos sorrisos de alegria tem feito brilhar os semblantes dos moradores daquelas localidades que, por anos a fio, penaram entre as infinitas dificuldades que só mesmo eles são capazes de mensurar?
Também enxergo as infinitas obras que precisam ser realizadas e a última coisa que me interessa é se os administradores são vaidosos, egocêntricos, se gostam ou não de mim e etc., e tal. Afinal, eu os amarei sempre, enquanto me fizerem feliz por estarem fazendo “pessoas” vivenciar seus dias com um pouco mais de dignidade social.
Se sentir livre politicamente é antes de tudo saber não depositar em nada e em ninguém suas expectativas pessoais, e muito menos confundi-las com a lógica do reconhecimento de direitos e deveres, nossos e dos gestores.
Não é nada fácil conduzir na contramão a mente tendo a força do sistema em contínua pressão, mas com certeza é possível.

Regina Carvalho, carioca, professora,
publicitária, filósofa social e colunista,
membro da Academia de Letras do Recôncavo.
Natural do Rio de Janeiro. 39 anos da vida dedicados
a escrever em jornais de Minas, Brasília e Bahia.
Locutora e diretora da Rádio Tupinambá, FM – Itaparica
e editora do Jornal Variedades – Itaparica – BA.