HOJE,

Talvez por estar começando a mais linda e perfumada estação do ano, estou com a mente acelerada e, enquanto preparo o almoço, pois ainda quero ir à praia, penso nos idosos da nossa cidade e até mesmo da Ilha como um todo, que assim como eu, ainda esperam muito da vida, com a consciência plena de já terem cumprido com as obrigações, fossem familiares, cidadã e profissional e neste aspecto vale ressaltar, na maioria das vezes, duros, pesados e mal remunerados.
Reparo que pouco se fala dos idosos sem o preconceito presente do coitadinho, frágil e dependente disto ou daquilo, como se fossem cartas marcadas pelo demasiado uso de um baralho a serem descartadas a qualquer momento.
Ledo engano, só descoberto quando a pessoa, se percebe envelhecido.
O fato concreto é que não se tem mais a mobilidade física dos 30/40 anos, mas ainda possuímos vontades próprias de nossas reais necessidades, fazemos projetos mentais e usamos a nossa experiência de vida como balizador de nossa ainda ânsia de viver e ser feliz.
E uma delas é o de estarmos antenados as infinitas mudanças sociais, científicas e tecnológicas, pois precisamos continuar interagindo com os mais novos e com as mudanças radicais que o sistema oferece indiscriminadamente. 
Penso que é chegada a hora de as gestões públicas, reconhecerem no mínimo o que representamos na sociedade em termos de amparo a sustentabilidade econômica, e, pararem de nos oferecer passas tempos como se só estivéssemos aptos a fazer tricô ou qualquer outro artesanato, em sua maioria ultrapassados. 
Os idosos do aqui e agora, querem mais, muito mais…
Que tal, ministrar aulas de computação para que possam ter autonomia para gastar suas aposentadorias, programar excursões, conversar com os amigos e descobrir o mundo que se descortina, através de uma simples telinha.
Que tal, fornecer saraus de poesia, música e leitura de textos clássicos e contemporâneos.
Quem sabe, ministrar palestras e encontros onde ouçam e participem de assuntos relativos à saúde, educação e segurança, mais que importantes para que estejam atualizados com os novos hábitos e costumes do mundo e de suas cidades.
Ou, oferecer música, estimulando através dela, o cantar, liberando suas vozes e suas emoções na formação de belos coros para a cidade que, poderia inclusive servir de amostragem de respeito a criatura humana a outros, onde se agregariam passeios e muitas aventuras.
Finalmente, manter inserido nos programas a jamais falta dos devidos medicamentos, assim como a regulação garantida de hospitalização ou consultas médica de baixa/média e alta complexidade, tirando de cada idoso o temor constante de que seus recursos financeiros e de mobilidade, não possam atender as suas mais primárias necessidades, isto sem esquecer daquela cesta básica, que alguns precisam desesperadamente, para que seus estômagos não conheçam a dor da fome.
Penso que estamos precisando rever as premissas de proteção aos idosos, tirando deles o estigma de criaturas sem qualquer maior importância que, qualquer coisa que se ofereça é sempre um favor.
Este texto ofereço a inesquecível Michelle Marques e toda a sua equipe da secretaria de saúde pela excelência dos serviços prestados a nós idosos, mas antes de tudo, cidadãos de nossa Itaparica que de forma inédita, desenvolveu um sistema de amparo aos idosos, repleto de iniciativas práticas, agregadoras e amorosas, incentivadas com a sua presença constante. 
Seu trabalho inovador, jamais dantes visto na sua integralidade, com os recursos minguados, mas com a vontade de acertar enorme, certamente nunca será esquecido por aqueles que acima de qualquer bandeira política, sabem reconhecer o bem recebido e a qualidade de um excelente trabalho prestado as comunidades.
Enquanto eu tiver vida e capacidade de escrever os meus texto, jamais deixarei de lembrar de todo bem genuíno que vi acontecer, nas atitudes amorosas dos meus semelhantes em favor do bem comum.

Regina Carvalho, carioca, professora,
publicitária, filósofa social e colunista,
membro da Academia de Letras do Recôncavo.
Natural do Rio de Janeiro. 39 anos da vida dedicados
a escrever em jornais de Minas, Brasília e Bahia.
Locutora e diretora da Rádio Tupinambá, FM – Itaparica
e editora do Jornal Variedades – Itaparica – BA.